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Aprenda Tudo sobre Introdução Alimentar

Quando se trata de começar a introdução alimentar dos nossos pequenos, todos nós queremos fazer o melhor possível.

Já vimos a importância dos primeiros 1000 dias e essa fase de introdução alimentar também faz parte.

A comida está presente no dia-a-dia de todos nós, pode ser divertida e realmente deve ser também, mas é muito mais do que isso. Os alimentos são necessários para a nossa nutrição, para o desenvolvimento, para as interações sociais e, finalmente, são necessários para que o bebê possa aprender a coordenar todo o corpo, para que ele também aprenda a comer.

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O que é introdução alimentar?

Introdução alimentar é a fase em que os bebês irão começar a consumir outros alimentos, além do leite materno ou da fórmula infantil. É um período de transição, quando a alimentação começará a ser espessada e o bebê irá desenvolver novas habilidades para começar a comer.

Esse também costuma ser um período de muitas dúvidas e incertezas.

Quando começar a introdução alimentar?

Após os 6 meses de idade do bebê, as necessidades nutricionais começam a mudar – e é por esse motivo (e outros também!) que a indicação do Ministério da Saúde, da Organização Mundial de Saúde e da Sociedade Brasileira de Pediatria é de iniciar a introdução alimentar por volta dos 6 meses de idade do bebê.

Os próximos 6 meses de vida, até ele completar 1 aninho, serão de muitos aprendizados para o bebê: as diferentes texturas dos alimentos, as cores diversas, os cheiros e sabores, as formas, como mastigar, a lidar com os pedaços dentro da boca, a engolir, quais são os comportamentos dos cuidadores, dentre muitos outros.

Quando o bebê completa 1 aninho de vida o que se espera é que esteja comendo os mesmos alimentos da família, da mesma forma que a família os consome: por exemplo, a carne em pedaços, os legumes fatiados, os grãos inteiros de arroz e feijão, etc.

Portanto, desde o início do relacionamento do bebê com os alimentos, tanto a comida que você irá oferecer ao bebê quanto a forma como será oferecida merecem atenção e cuidado.

O leite materno (ou a fórmula infantil) é a fonte nutricional ideal nos primeiros 6 meses de vida, mas agora cada vez mais eles não terão nutrientes suficientes para o rápido crescimento e desenvolvimento do bebê.

Entretanto, aprender a comer é um processo, um caminho que será percorrido para que o bebê adquira essa habilidade – não vai ser de um dia para o outro que ele irá começar a comer. E é por isso que é tão importante começar aos 6 meses.

Como eu sei se meu bebê já está pronto para começar a IA?

Por volta dos 6 meses de idade os bebês começam a demonstrar alguns sinais de que estão prontos para começar a introdução alimentar – são os chamados “sinais de prontidão” para o início da Introdução Alimentar.

Tenho aqui no site um Guia gratuito sobre quais são os sinais de prontidão para a introdução alimentar, como avaliá-los e quais sinais não devem ser interpretados como sinais de prontidão.

Você pode baixar aqui.

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Como introduzir a alimentação para o bebê?

A forma como os alimentos serão oferecidos ao bebê é tão importante quanto a própria escolha dos alimentos em si.

Para isso, vários métodos são possíveis de serem escolhidos: a forma tradicional (papinhas), BLW, BLISS (uma variante do BLW), ParticipAtiva.

Vamos falar um pouco sobre cada um dos métodos, para que você possa escolher qual a melhor opção para a sua família.

O mais indicado é que a família escolha o método com o qual se sinta mais à vontade – e repare em qual o bebê também prefere.

O que é introdução alimentar tradicional?

A forma tradicional é feita com o uso das papinhas, ainda indicada por muitos pediatras. Nessa forma, os alimentos são amassados com o garfo (Atenção: nunca utilize o liquidificador ou o processador, pois eles destroem as fibras dos alimentos, necessárias ao desenvolvimento do intestino do bebê).

Para compor as papinhas basta selecionar alimentos de diferentes grupos alimentares – e dessa forma eles serão oferecidos juntos.

Se essa for a sua opção, não esqueça de também oferecer alimentos sozinhos, para que o bebê possa conhecer o sabor de cada alimento, individualmente – e assim formar seu repertório e seu paladar. Além disso, conforme o bebê for crescendo, é importante ir espessando a alimentação, para que ele consiga lidar com as diferentes texturas dos alimentos.

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O que é introdução alimentar BLW?

O BLW significa Baby Led Weaning, que traduzido para o português seria “desmame conduzido pelo bebê”.

Consiste em oferecer os alimentos na forma em que realmente são, sem serem amassados.

Os alimentos são oferecidos ao bebê na forma de “finger food”, para que ele mesmo possa segurar com as suas mãozinhas e levar à boca.

O bebê escolhe o que irá comer dente os alimentos que lhes são apresentados e em qual quantidade. É preciso estar atento à consistência dos alimentos, pois o bebê deve conseguir amassá-los com a própria gengiva.

Como os demais métodos, o BLW também apresenta vantagens e desvantagens.

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O que é introdução alimentar BLISS?

O método BLISS é o Baby Led Introduction to Solids, que traduzido para o português seria “introdução de sólidos conduzido pelo bebê”.

Tem o mesmo princípio do BLW, de oferecer os alimentos ao bebê, na consistência de ser possível amassar com a gengiva e deixar que ele pegue os pedaços e leve à boca.

A diferença está no planejamento da refeição: deve-se incluir sempre um alimento rico em ferro, um rico em energia, uma fruta ou legume.

O que é introdução alimentar participativa?

Esse método consiste em oferecer os alimentos na forma BLW ou BLISS, ao mesmo tempo em que o cuidador também os oferece com a colher.

Dessa forma, o cuidador consegue ter um maior controle da quantidade que o bebê realmente comeu – e que pode deixar muitas famílias mais tranquilas.

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Cardápio para bebê de 6 meses

Quando pensamos no cardápio do bebê de 6 meses, é preciso sempre considerar a nutrição da qual o bebê precisa.

Você já reparou no fato de que nesse primeiro ano de vida a cabeça de um bebê é maior quando comparada com o resto do corpo? Isso ocorre porque a maior parte do desenvolvimento do bebê em seu primeiro ano de vida acontece no cérebro.

Nesse contexto, a elaboração do cardápio é super importante, pois a falta de nutrição adequada durante esse período pode levar a problemas comportamentais e até mesmo de aprendizado.

Se você precisar de ajuda para organizar as refeições do dia-a-dia, tenho aqui no site um modelo de planilha de refeições para preencher, de acordo com as preferências e hábitos da sua família.

No início da introdução alimentar, recomendo vegetais e frutas como os primeiros alimentos, mas esse período não irá durar muito.

Aos 6,5 meses, a nutrição se torna tão importante que incentivo os pais a progredirem em direção ao objetivo de três refeições por dia (lanche da manhã, almoço e lanche da tarde) para que, aos 7 meses, o jantar também possa ser introduzido.

Essas refeições também precisam consistir em mais do que apenas legumes e frutas.

Alimentos protéicos como lentilhas, feijões, carnes, peixes e ovos são necessários juntamente com alimentos que aumentam a energia – os carboidratos – como batata, arroz, macarrão, pães, farinhas e outros cereais.

Juntos eles irão fornecer os nutrientes críticos necessários a partir dos 6 meses de vida do seu bebê.

Os nutrientes críticos que são muito importantes nesta fase são os seguintes:

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Ferro

As necessidades de ferro para o bebê aumentam rapidamente entre 6 meses e 2 anos e estão relacionados ao seu rápido crescimento cerebral. Infelizmente também é a deficiência nutricional mais comum observada em bebês e crianças pequenas.

Os bebês que não recebem a quantidade adequada de ferro podem ter problemas sensoriais e cognitivos, levando a problemas de aprendizagem. Sua insuficiência também pode afetar o desenvolvimento motor, que está relacionado aos músculos e ao equilíbrio.

Os bebês nascem com estoques de ferro, que são passados pela na mãe no último trimestre da gravidez – e que serão utilizados nesses primeiros seis meses de idade.

Se seu bebê nasceu prematura ou com baixo peso, é provável que suas reservas acabem mais cedo. Da mesma forma, se você esteve com deficiência de ferro durante a gravidez, seu bebê não chegou a receber o valor total de ferro para esses primeiros seis meses de vida.

É por isso que os alimentos ricos em ferro precisam ser introduzidos logo no início da Introdução Alimentar, assim que os primeiros legumes e frutas forem aceitos.

A melhor fonte de alimentos ricos em ferro é a carne vermelha e vísceras (como o fígado, por exemplo).

A recomendação é que após as primeiras semanas de vegetais e frutas, a carne seja introduzida como um dos primeiros alimentos de seu bebê (se sua opção não for vegana ou vegetariana, é claro).

Por exemplo, o fígado pode ser ensopado, as tiras de carne cozidas lentamente, o que as deixam com uma textura fácil de gerenciar. A carne moída pode ser transformada em almôndegas, ideais para petiscos.

Outras boas fontes de ferro são as gemas, a carne escura de aves e as leguminosas como lentilhas, feijões, ervilha, grão de bico, etc.

Vegetais de folhas verdes escuro contêm ferro, mas em uma forma que não é completamente absorvida pelo organismo. Frutas secas como uvas-passas e damascos também são boas e podem ser combinadas com outros alimentos para fazer comidas deliciosas para o bebê, como frango com damascos ou maçãs assadas por exemplo.

Se seus alimentos ricos em ferro não forem à base de carne (e sim de vegetais) o melhor a fazer é combiná-los com alimentos que contenham vitamina C, pois essa combinação ajuda o bebê a absorver o ferro. A vitamina C é encontrada em diferentes frutas e legumes.

Recomendo que os alimentos ricos em ferro estejam presentes duas vezes ao dia desde o início – ou, se você é vegetariano, três vezes ao dia (justamente pelo fato de que o ferro vindo dos vegetais é menos absorvido em relação ao que vem das carnes).

Além disso, o leite materno contém apenas um pouco de ferro, mas esse é muito bem absorvido. Em contrapartida, embora a fórmula infantil seja suplementada com muito ferro, ela é mal absorvida pelo corpo do bebê!

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Ômega 3

O ômega 3 é um ácido graxo essencial e é assim chamado porque o corpo do seu bebê não consegue fabricá-lo – então só pode ser obtido através dos alimentos. Existem 3 tipos de ômega 3: EPA, DHA e ALA.

As formas EPA e DHA são encontrados principalmente em peixes oleosos. A forma ALA (ou ácido linolênico), é a alternativa vegetariana do ômega 3, pois é encontrada em nozes, sementes de chia, linhaça, gergelim. No entanto, o ômega 3 na forma ALA é pouco convertido pelo organismo e é difícil para os bebês atenderem às suas necessidades nutricionais apenas com essas fontes.

Você também pode obter ovos ricos em ômega 3, provenientes de galinhas que foram alimentadas com uma dieta rica em ômega 3.

O ômega 3 é responsável pela visão e pelo desenvolvimento saudável dos olhos e também é essencial para o crescimento do cérebro.

A melhor maneira de garantir EPA e DHA suficiente é incluir peixes oleosos na introdução alimentar do bebê, uma ou duas vezes por semana.

Se você estiver amamentando, o DHA passa do seu leite materno para o bebê, então comer peixes oleosos também é uma excelente opção para as mães que amamentam.

Mães, bebês e crianças pequenas não devem comer mais de 2 porções de peixe oleoso por semana, pois infelizmente esses peixes também podem conter contaminantes que podem ser prejudiciais se em grandes doses.

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Energia

Os óleos e gorduras são as fontes de energia mais concentradas que os alimentos fornecem e, apesar da reputação de causar excesso de peso nos adultos, são muito saudáveis ​​para os bebês. Os bebês não devem seguir uma dieta com baixo teor de gorduras, é importante evitar as versões light ou diet dos alimentos.

Cerca de metade da energia dos bebês deve vir de óleos e gorduras, a fim de fornecer calorias suficientes para o seu crescimento e desenvolvimento. Os óleos e gorduras também são necessários para a mielinização do cérebro e a falta deles pode afetar o desenvolvimento cognitivo.

O estômago dos bebês é muito pequeno e seu apetite pode ser variável, então conseguir energia suficiente pode ser complicado. Portanto, é importante oferecer as versões integrais dos alimentos (ao invés das opções light ou diet) e cozinhar com óleos ou mesmo adicionar um fiozinho à refeição no final do preparo.

 Não tenha medo de adicionar alimentos com alto teor de gorduras (saudáveis) aos alimentos da introdução alimentar.

Se seu bebê gosta de fatias de maçã, por exemplo, você pode servi-las juntamente com um potinho de manteiga de amendoim para ele mergulhá-las. Você também pode adicionar manteiga derretida aos vegetais antes de servir ou para refogar/assar. Manteiga de abacate e de oleaginosas também são grandes fornecedores de energia.

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Vitamina D

A vitamina D é produzida naturalmente quando a luz solar atinge nossa pele. É necessário para o seu bebê obter força e crescimento ósseo e também desempenha um papel importante no desenvolvimento de um sistema imunológico saudável.

É difícil obtermos vitamina D suficiente apenas dos alimentos. Os poucos alimentos que contêm vitamina D são os peixes oleosos, as gemas de ovos e alimentos que receberam vitamina D durante a fabricação.

Quando o bebê toma fórmula infantil, essa já contém vitamina D adicional, então os bebês alimentados com fórmula não precisam de mais nada. Entretanto, os bebês que são amamentados poderão precisar de um suplemento de vitamina D, na forma de gotinhas.

O que dar na introdução alimentar?

Ao planejar as refeições do seu bebê, lembre-se dos alimentos que contêm os nutrientes críticos que falaremos mais abaixo. Para garantir o equilíbrio adequado, você pode seguir essas 4 etapas:

  • Comece com um alimento rico em proteínas, como um purê de lentilha, um ovo cozido, um pouco de carne cozida lentamente ou uma almôndega de carne moída.
  • Adicione um alimento rico em vitamina C, por exemplo, um florete de brócolis ou dois morangos cortados ao meio.
  • Termine com um alimento rico em energia, como uma torrada com manteiga ou batata-doce amassada com manteiga.
  • Considere a variedade de cores, texturas e cheiros. O bebê precisa de várias experiências diferentes!
cardapio bebe 6 meses

Quais frutas devo oferecer na introdução alimentar?

Todas as frutas podem ser utilizadas na introdução alimentar (se a família não tiver algum histórico de alergia, pois então será preciso avaliar caso a caso).

A Introdução Alimentar em mais detalhes

Nesse momento de dúvidas, se você quiser conversar com um profissional especializado, qui no site você encontra o curso online Panelinha do Bebê.

No curso falamos sobre a introdução alimentar sob o ponto de vista da nutrição infantil e também dos aspectos comportamentais e de desenvolvimento envolvidos nesse processo.

São ainda abordados temas como preservação de nutrientes, formas de preparo e armazenamento.

O Panelinha do Bebê é um curso online completo sobre introdução alimentar, que garante atendimento personalizado para cada família e que também se propõe a ser um espaço de trocas de experiências entre as famílias.

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Foto de uma das edições do curso presencial

Os temas permeiam as questões nutricionais, passando pela observação do bebê e apoio em vínculos afetuosos para resultar em um processo prazeroso e saudável de alimentação para toda a família!

Na fase da introdução alimentar, muitas perguntas costumam surgir para as famílias. Se você se sente desconfortável porque todos têm algo diferente a dizer ou se você simplesmente não sabe por onde começar… entre em contato.

O Panelinha do Bebê irá tirar um peso dos seus ombros e transformará a introdução alimentar em um momento tal como deve ser: alegre, prazeroso e memorável para toda a família.

​Uma conversa sincera, repleta de sugestões e, principalmente, de soluções. Porque cada família é única, tem suas histórias e preferências – e o que dá certo em uma nem sempre dá certo na outra…. É preciso entender as histórias e buscar soluções personalizadas.

Beijinhos,

Daniela

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