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Introdução Alimentar: Entre BLW, Papinhas e Colherinhas

July 27, 2016

Está chegando a hora do bebê comer. O pediatra falou em papinha. Minha avó fazia sopa. A vizinha falou de um tal de BLW. Eu não sei por onde começar! Vamos hoje refletir um pouquinho sobre formas possíveis de introdução alimentar. 

 

 

Antes de tudo vamos convir que a alimentação não é apenas a atividade de colocar comida na boca, mastigar e engolir. Comer, além de necessidade básica, é uma manifestação cultural, e portanto está finamente arraigada nas tradições, rotinas e costumes de cada família. Assim, sugerir que uma ou outra abordagem é a melhor, a única possível ou qualquer coisa restritiva do gênero, é ignorar contextos. Não precisamos disso quando se trata de inserir o bebê na cultura aliementar de sua própria família. A introdução alimentar sadia do bebê passará por tudo aquilo que for sadio do contexto familiar, entre BLW, papinhas e colherinhas: começar a comer é uma das formas de começar a se alimentar também do mundo. Por suas próprias mãos e iniciativas, e também pelas mãos de quem cuida.

 

A abordagem da sopinha caiu em desuso faz tempo. Hoje, a OMS recomenda que a comida complementar seja menos líquida e mais sólida. Algo como seria a papinha, que você já conhece provavelmente porque se trata do jeito mais corriqueiro de fazer a introdução alimentar do bebê.

 

Não há nada de errado, per se com a papinha. Cabe apenas tomar conhecimento que ela vem de uma trajetória histórica, que tem relação com  a indústria do leite artificial - que fabrica também papinhas artificiais, para dar continuidade a sua linha de produtos. 

 

BLW - o Baby Led Weaning - pode ser nomeado como uma abordagem mais contemporânea para a Introdução Alimentar dos bebês, mas que está baseada em comensalidade, e aspectos bem antropológicos e intuitivos do comer. Ou seja, uma coisa bem antiga, um resgate de uma abordagem mais natural. Diferente do que a nossa cultura está habituada a ver - bebês sendo alimentados pelo adulto cuidador - o BLW propõe que as conquistas motoras e fisiológicas do bebê é que norteiam a sua alimentação. E o termo significa exatamente isso - desmame conduzido pelo bebê.

 

Desmame? Ora, pois sim. Teremos que encarar o fato de que todo o processo de alimentação do bebê é intrinsicamente relacionado com o desmame, o parar de mamar, o substituir o leite por outras fontes de alimento, de forma progressiva até a sua completa substituição. 

 

E enxergando assim, temos a clareza de qualquer abordagem de introdução alimentar está para além de alimentar o bebê. É um momento longo de permitir o crescimento e o amadurecimento de funções motoras, cognitivas, fisiológicas em torno do alimentar-se. 

 

Assim, o bebê que está pronto para comer, poderá passar por todo um processo, que envolve pegar seus próprios alimentos, brincar muito com eles, comer e não comer. Ser alimentado também. Ter comida oferecida na colherinha por vezes, e tantas outras pescar o que consegue alcançar do prato da mãe (ou dos irmãos, só quem tem mais de um filho em casa sabe como comer é um acontecimento de ordem coletiva, e nesse sentido, as regras pouco tem a colaborar). 

 

 

 

O que nos leva à reflexão de que: um bebê em estágio de introdução alimentar está em processo de inserção na cultura alimentar da família. E quanto mais consistente esse processo, maior a mudança positiva de hábitos para todos. Se o bebê não pode ou não deve comer aquilo - quem sabe um alimento ultra processado, algo com muito açúcar ou aditivos - será que não vale suspender esse ítem do cardápio de toda a família?

 

No outro polo dessa reflexão - quando foi que você, adulto, fez para si mesmo uma papinha de innhame, cará e cenouras orgânicas com pouco (ou nenhum) sal?

 

Uma ideia bacana para observar a Introdução alimentar com menos metodologia e mais vivência, é ampliar o conhecimento que temos das abordagens ao redor do mundo e através dos tempos.

  • A papinha, é sem dúvida uma abordagem muito difundida, mas, como já dito, está bastante ligada à indústria de comidas processadas para substituição do leite artificial, que teve seu auge na década de 80.

  • Amassar a comida da família com o garfo é uma estratégia dos antigos, muito antes das "sopinhas" que estiveram por algumas décadas nos holofotes, e também caíram em desuso.

  • Se formos olhar para as culturas ancestrais, veremos muitas mães mastigando pedacinhos de comida, e oferecendo com os dedos para seus bebês. Enquanto vemos também bebês manuseando, roendo, mastigando pedaços grandes de comida - o que foi sistematizado belo BLW.

  • Se formos observar as matrizes alimentares de cada região, veremos que a introdução alimentar a partir de cereais é um costume bastante europeu.

  • Enquanto no interior do Brasil, ainda se usa iniciar pela proteína - você já deve ter visto contar de quem dá um pedaço de carne para a criança "chupar".

 

Enfim, nesse emaranhado de possibilidades, há um processo continuado, fluido e aberto. E não apenas um conjunto de técnicas tiradas de cartilhas. Esse processo não diz respeito apenas ao bebê, muito embora seja dele o papel de protagonista. É uma conquista de todos, começar e recomeçar a comer, testar receitas, formas de se alimentar. Quanto mais saboroso, melhor. 

 

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